quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Você faria uma cirurgia espiritual? - capítulo 2



Em 2008, quando iniciei a coleta de no sítio 13 de maio para a obtenção de óleos essenciais, conheci o seu Gilson. Sempre educado e prestativo, ele ficava o tempo todo falando das “espiritualidades” que havia naquele sítio. “Há uma universidade espiritual sobre este sítio”. Ele tinha uma razão forte pra dizer aquilo. São daquele sítio que saíam as matérias-primas para os fitoterápicos que são fornecidos gratuitamente aos pacientes do Instituto de Medicina do Além, que eu até então desconhecia. “Os espíritos dos índios é que dizem quais plantas devemos usar.”
Durante minhas coletas o seu Gilson sempre me via reclamando de dores na coluna. “Por que você não faz uma cirurgia espiritual?”, sugeriu. “Como funciona?” Ele me esclareceu que era uma cirurgia sem cortes. “Todo problema no corpo vem do espírito. Você precisa curar o seu espírito pra dor ir embora.” Por mais que eu tivesse respeito pelo que ele dizia, era difícil de aceitar que aquilo pudesse dar certo. Afinal, como uma cirurgia dessas poderia aliviar minhas dores nas costas?
Os anos foram se passando. Três anos depois, agora também com o problema no meu joelho direito, seu Gilson disse novamente. “Por que é que você não faz uma cirurgia espiritual? O doutor Alonso pode te curar.” A possibilidade, agora, pareceu-me ainda mais remota. Ora, como uma cirurgia sem cortes poderia conectar as duas pontas soltas do ligamento do meu joelho?
Certo dia, Débora e eu decidimos ir à missa com o Miguel. Como ele ainda não andava, ficamos com ele no colo. Quando ele começou a ficar inquieto, sai com ele pela igreja e fui mostrar a imagem de Nossa Senhora das Graças. Foi então que meu joelho travou. Uma, duas, três, quatro, várias vezes. A cada três ou quatro passos um nervo na parte lateral da perna parecia sair do lugar. Era o maldito ligamento. Naquele dia voltei para casa arrasado. “Que caramba, meu filho vai crescer e nem futebol eu vou poder jogar com ele.” Fiquei então arrasado. Mas não havia nada que eu pudesse fazer. A cirurgia não era uma boa opção, pois segundo o dentista, deixaria minha perna atrofiada. Foi então que uma idéia, até então remota, começou a tomar meus pensamentos. Peguei então o telefone e liguei para o seu Gilson. “Seu Gilson, como é essa tal de cirurgia espiritual?”

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