quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Problemas com a timidez no século XXI


Terça-feira, 11 de setembro. Há 11 anos as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, que só conheci por fotos, foram destruídas por terroristas, matando milhares de pessoas. Muitas vidas foram levadas naquele ataque terrorista, mas no momento quem precisa levar a vida sou eu. Tenho que trabalhar pra ganhar o sustento de minha família.
São 9h 15min. Estou no posto, abastecendo o carro. Os frentistas acabam de encher o tanque pra que eu possa ir trabalhar nos próximos três dias, pelo menos. Após o frentista entregar-me a chave e me passar o valor da conta, dirijo-me à sala onde devo efetuar o pagamento, onde também ficam os produtos de conveniência. Logo na entrada percebo que o dono do posto est´aao telefone, falando baixo e olhando para a mesa. Quando me vê, ele levanta os olhos e esboça um sorriso de quem está pouco preocupado com a minha pressa. “Só um minutinho...”, diz ele, sem muita cortesia nem pressa.
Fico então aguardando por algum tempo enquanto ele tenta estornar um débito de cartão de um cliente que foi lançado duas vezes. Parado à porta, de frente para o dono e de costas para a loja, percebo alguém passando, que logo se manifesta. “Posso deixar um currículo?”, pergunta ele. O dono do posto, mantendo a preocupação com o seu erro com o cartão e a indiferença com relação a mim e àquele rapaz, limita-se a balançar a cabeça. Olho então para o rapaz. É um jovem com idade entre 17 e 20 anos, cabelo escuro e com corte militar, trajando calça de abrigo e um tênis colorido. Meio sem jeito, aquele jovem ajeita os óculos, inclina o ombro e deixa sua mochila cair lentamente sobre a mesa. Dela ele tira uma pasta, de onde sai uma folha com sua foto e, suponho, algumas informações sobre ele. Ele a deixa sobre a mesa, fecha a pasta e aguarda na mochila e, com a mochila nas costas, sai pela mesma porta que entrou sem dizer uma palavra. 
Com pressa e sem perspectivas de que o dono vá resolver o seu problema tão cedo, decido pagar em dinheiro. Ele me olha, pega a nota e tira a nota, apenas acenando com a cabeça um "obrigado", imediatamente retornando sua atenção para o telefone. Sigo então para o carro, e de dentro dele fico observando aquele jovem empurrando sua bicicleta, com a mochila nas costas, olhando para o chão. Sou então tomado por uma conclusão horrível: aquele jovem dificilmente receberá uma ligação do dono do posto. Minha conclusão não tem nada a ver com o humor do dono do posto ou com a educação que trata seus funcionários, e sim com a postura daquele jovem. Ao entrar na sala, não mostrou nenhum entusiasmo nem cordialidade, não desejou bom dia pra ninguém nem tampouco nos cumprimentou. Ao sair, sua reação foi mais ou menos a mesma. E sabem por quê? Culpa de sua timidez. A mesma timidez que faz com que uma de nossas colegas de hidroginástica não fale com ninguém. Embora passe a impressão de ser "metida", certamente é um problema de timidez, ocasionado pela falta de auto-estima. Eu sei reconhecer essas características nas pessoas, pois eu as tenho comigo também. 
A sociedade, de maneira geral, penaliza as pessoas tímidas, não lhes dando chances de mostrarem quem realmente são e do que são capazes. Isso não ocorre apenas com as pessoas tímidas; ocorre os "feios", com os "gordinhos" ou com as "magrelas" e daí por diante. Infelizmente as pessoas gostam de outras que transmitam uma imagem de sucesso e de alegra, e não de fracasso ou tristeza. Fico então pensando o que será do Miguel no futuro. Se for tímido como fui, certamente sofrerá horrores. Tentarei fazer o possível pra que não seja e tenha uma boa auto-estima - controlá-la para que não se converta em arrogância é um desafio ainda maior... O curioso é que muitas vezes as pessoas que ignoram as que não se encaixam no padrão também passaram pelos mesmos problemas. 
Pessoas com esse perfil vivem oprimidas e, não tão eventualmente, transformam-se em atiradores e entram em cinemas e escolas matando todo mundo e torcendo para que alguém lhes tire a vida e aliviem seus sofrimentos. Por isso, seja compreensivo quando conversar com alguém que lhe abaixar a cabeça e não te olhar nos olhos enquanto falas. Ao fazer isso, acredite ou não, você estará ajudando muito aquela pessoa e a sociedade. E mais que isso, acumulará créditos para as contas que terá que prestar a Deus quando partir dessa para melhor...

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