domingo, 7 de outubro de 2012

Era uma vez, em 2006...


Quando as luzes se apagam, todas as coisas adquirem a mesma cor. Não dá pra se ter a certeza se os olhos estão abertos ou fechados. Ouço um barulho de morcegos correndo sobre o forro de meu quarto improvisado, que na verdade é uma parte do que um dia foi a nossa varanda. Para impedir a entrada da brisa fria, um pedaço de pano foi colocado debaixo da porta. Meus pais estão dormindo lá dentro, e caso eu precise gritar por eles, certamente não escutarão.
Mas não será preciso. Já sou crescido, tenho quase 30 anos. Mesmo depois que a “Fia” mudou-se com a Clara, preferi ficar aqui neste meu pequeno cubículo a voltar para o quarto que com ela dividi durante tantos anos. Este é o meu espaço da casa. É pequeno, mas é meu. E para alguém que passou quase seis anos morando com mais 20 pessoas em uma casa de estudantes em uma grande cidade, nada como ter um espaço para si mesmo. A internet ainda é discada. No mês passado o valor da conta de telefone foi altíssimo. Por causa disso, e para não ouvir queixas do papai, eu assumi as contas de telefone e de luz. Sim, ele se queixa que meu computador fica ligado o dia inteiro...
De manhã a visão da janela de meu pequeno quarto é linda. As árvores no fundo do quintal fazem uma sombra deliciosa na janela. Dela também posso avistar o enorme angico no quintal da marcenaria do Segato, que por tantos anos de minha adolescência fiquei admirando. Após acordar, dirijo-me à escola Edda Cardoso de Souza Marcussi, onde leciono Química. Às tardes eu trabalho em alguns artigos científicos que vão surgindo. Por volta das 16h sigo para a natação, que foi indicada pelo médico para meus problemas com a coluna. Ele diagnosticou três bicos de papagaio, que certamente foram adquiridos ao longo dos anos de estudo. À noite sigo para a faculdade ministrar aulas de Química Orgânica.
Nos fins de semana nenhuma novidade. Jogo futebol aos sábados e vou namorar à noite. Meu horário de namoro é das 20h30min às 12h, mas sempre chego atrasado. Uma boa parte deste tempo é gasto com pedidos de desculpas pelo atraso. Minha namorada fica furiosíssima! E com razão. De vez em quando vamos ao cinema. Não costumamos ir a restaurantes ou bares. Estamos construindo nossa casa, então precisamos economizar. Queremos nos casar o mais breve possível, mas não vamos fazê-lo enquanto a construção de nossa casa não for finalizada.
Levo uma vida com bastante rotina, mas isso não me incomoda nem um pouco. Gosto da minha rotina. Eu fico me perguntando como será a minha rotina após o casamento. Quero muito ter uma TV LCD de 40” e um aparelho de DVD quando tiver minha casa própria. Aqui na casa dos meus pais não tem. Aliás, nunca tivemos nem vídeo game. Fui comprar meu computador aos 26 anos, com o meu próprio dinheiro, o que é pra mim motivo de orgulho. A propósito, será que serei pai? Quantos filhos eu terei? Serão meninos ou meninas? São tantas dúvidas... Espero apenas que daqui a alguns anos eu tenha uma vida tranquila, sem falta de dinheiro e com mais saúde que tenho hoje. E, claro, que todos de minha família possam estar juntos pra celebrarmos a vida. Porque apesar de tudo o que almejo em minha vida, uma família unida e saudável sempre será o mais importante para mim. 

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