quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Qual a importância do seu facebook na sua vida?


A internet é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores avanços da humanidade. Ainda hoje em dia fico vislumbrado quando, de um computador conectado à internet surge um filme, uma música ou um episódio de uma série. Mais interessante ainda é você poder conversar com uma pessoa que está a milhares de quilômetros, talvez até do outro lado do mundo, e vê-la enquanto fala com ela. Mas isso, caro leitor, é uma visão de quem pertence à geração do final dos anos 70 e que viveu sua adolescência sem ter a mínima idéia do que era um computador. Hoje percebo a diferença que isso fez em minha vida.
Se você pertence à geração dos anos 90 ou dos anos 2000, certamente achará estranho o que vou escrever agora. Aliás, é bem provável que não consiga entender como existia vida antes da internet e dos computadores. Mas acredite: existia. E por mais que você pense que a internet aproximou as pessoas – e isso é verdade, em alguns casos, principalmente quando estão realmente muito distantes -, os fatos mostram que na maioria das vezes ocorreu justamente o contrário.
A internet fez com que os jovens de hoje deixassem de brincar e de interagirem. Quando eu tinha entre 8 e 16 anos, o que eu mais gostava era de brincar. Jogávamos “bete”, um jogo que se resumia a impedir que uma lata de óleo (que hoje deu lugar às embalagens plásticas..) fosse derrubada por uma bolinha, que deveria ser golpeada com um cabo de vassoura e jogada para longe do adversário. Jogávamos futebol na rua. As bolas geralmente eram bolas de plástico que haviam sido furadas e que, de tão dura e pesada, mal conseguia quicar... Desenhávamos trilhas nas ruas e calçadas e reuníamos uma turma pra brincarmos de polícia e ladrão – cada um com sua bicicleta. Isso sem contar as brincadeiras de “pique-esconde” e de queimada. Era muito divertido.
Ora, por que razão estou me lembrando disso agora? Porque hoje à tarde, após uma sessão de hidroginástica, a instrutora contou-nos que uma aluna de 8 anos ingressou hoje na natação disse-lhe que o único esporte que ela pratica é o “facebook”. Isso mesmo, facebook! Essa criança, assim como a maior parte dos jovens – e por que não dizer, os adultos de várias gerações – preferem dedicar seu precioso tempo construindo uma imagem do que viver. As fotos hoje em dia são tiradas para quê? Para onde elas vão? Para um álbum de família? Não! Elas vão para o seu facebook! As pessoas usam seus facebooks como se fossem um cartão postal, e cuidam mais deles que de suas próprias vidas. Muitos gastam horas e horas falando pelo “face” ao invés de se encontrarem pessoalmente. E não estou falando de pessoas que moram em outras cidades – às vezes a pessoa mora no mesmo quarteirão que você! A imagem que você constrói através do seu facebook tornou-se mais importante do que o que você realmente é. E se há algo que você precisa ser é “popular”. Quanto mais amigos no facebook você tiver, mais pessoas vão comentar e curtir suas postagens. E é isso o que mais te importa na vida, não é?
Não estou afirmando que sou contra a internet ou facebook, mesmo porque este blog também é uma “ferramenta virtual” que, de certa forma, também me toma algum tempo. O que estou dizendo é que as pessoas deveriam se encontrar mais e se divertirem como antigamente, ao invés de se tornarem “escravas” da imagem que tentam construir. Alguém se lembra das brincadeiras na garagem? Eram as festas da nossa geração! Algum colega se dispunha a colocar um rádio com alguma fita cassete na garagem de sua casa e chamava os rapazes e moças pra dançar e comer algum salgado ou coisa do tipo. Quantos e quantos casamentos não começaram nessas “brincadeiras”? Ao invés disso, as pessoas gastam seus tempos preciosos em frente às telas de seus computadores.
Faz sete anos que tenho este blog. Quando decidi mantê-lo, minha decisão era a de manter vivas as minhas histórias para que meus filhos pudessem conhecê-las quando estiverem adultos. No entanto, percebi que o tempo que gastarei para escrevê-las e postá-las no blog é tão precioso que decidi dedicá-lo para que ele tenha suas próprias lembranças de seu papai. Deixar boas lembranças parece-me, nesse instante, mais importante que deixar minhas histórias. É por isso que escreverei sempre que puder, mas apenas quando ele já estiver dormindo. Criei um facebook, mas apenas porque “todo mundo tem” e eu acabei seguindo a onda, mas raramente o atualizo.
E você, vai continuar dedicando seu tempo ao seu facebook ou a cuidar de sua própria vida – ou melhor dizendo, da sua vida REAL? 

Nenhum comentário: