domingo, 23 de dezembro de 2012

Efeito borboleta: a carta de 1988 (parte final)


Esse ano passou muito rápido, não é mesmo? Pode ter certeza de que este foi um dos melhores anos de sua infância ou , pelo menos, um dos que você mais se lembrará. Mas o próximo ano será muito melhor, pode acreditar. Aliás, é assim que você deve pensar sempre. A cada ano que terminar, agradeça por tudo e mentalize que o ano seguinte vai ser ainda melhor.
Bom, eu acho que essa carta está maior do que eu imaginava quando comecei a escrevê-la. Porém, antes de finalizá-la, gostaria de pedir que você faça algo para mim: ame sua família com todo o seu coração. Ame seus avós e dê a eles a máxima atenção que puder. Eu sei que você gosta mais do vovô Mila e da vovó Maria, pois eles te dão mais atenção, mas você não deve deixar de visitar o vovô Crotti e a vovó Lourdes. Você tem que entender que eles têm muitos netos e, por isso, você não pode ter o amor deles só pra você. Ame também sua tia Ângela. Faça isso de todo o seu coração. Ela é e continuará sendo por uns bons anos uma segunda mãe pra você, e você deve ser tão bom para ela quanto um filho seria. Ame também sua irmã. Não se envergonhe quando ela vier falar com você durante os recreios na escola. Você não percebe, mas ela sente orgulho de você. Eu sei que você sente ciúmes dos seus pais com relação a ela, pois acha que eles gostam mais dela que de você. Não, Eduardo, não é verdade. Eles apenas dividem o amor deles entre vocês dois. Não seja egoísta!
Por fim, quero que ame imensamente seu pai e sua mãe. Sua mãe será sua eterna companheira. Ela sempre se preocupará com você e sempre estará ao seu lado quando você precisar, até o dia em que você se tornar um homem independente. E quando isso acontecer, a dor que ela sentirá por não mais poder ajudá-lo não será maior que o orgulho que dela tomará conta. Quanto a seu pai, respeite-o. Eu sei que você fica revoltado quando ele pede pra você lavar o caminhão dele quando volta das semanas fora de casa. Sei também que você fica extremamente irritado quando ele te faz lavar a lona no meio da rua ou passar as férias o ajudando a pintar as chapas e para-barros do caminhão. É claro que você não acredita quando ele diz que ele faz isso pra você virar um homem, e que um dia você irá agradecê-lo. Pois bem. Você terá por ele uma gratidão maior que essas palavras podem expressar. Você sempre se lembrará dele como o seu grande herói, embora muitas vezes ele lhe parecerá o seu patrão. Não, Eduardo, ele é o seu pai.
Você deve estar se perguntando quem sou pra saber tudo isso sobre você. Não se amedronte, meu caro. Não sou Deus, não sou papai Noel nem algum cartomante que faz previsões. Na verdade, Eduardo, eu sou você daqui a 24 anos. Acredite ou não, escrevo esta carta para você com a mesma idade que o seu pai tem hoje: 36 anos. Hoje eu (ou melhor, você...) também tem um filho, e ele se parece com você (melhor dizendo, comigo...). Por mais que ao longo da vida eu tenha desejado que muitas coisas tenham sido diferentes, consigo entender hoje que elas deveriam ter sido como foram. E seu eu tivesse o poder de voltar ao passado, a única coisa que eu realmente mudaria seria a intensidade com que em vivi cada momento, agradecendo a Deus por cada um deles. Bom, eu não posso mais fazer isso. Mas você ainda pode. É por isso, Eduardo, que eu te escrevi esta carta tão longa: para que você possa olhar ao seu redor e sentir-se um menino mais feliz. Há tantas coisas boas em sua vida... Não reclame do que te falta, pois você conseguirá tudo isso algum dia e sentirá falta desses dias que você está vivendo.
Aproveito pra te desejar um feliz Natal. A propósito, não se prenda tanto aos presentes que você irá ganhar. Ao invés disso, abrace seus avós, seus pais e a tia Ângela bem forte e agradeça-lhes pelo amor que eles têm por você, pois esse amor vale mais do que qualquer presente do mundo, inclusive os soldadinhos dos Comandos em Ação que você vai ganhar. Ooops...
De seu melhor amigo,
Eduardo, 23 de dezembro de 2012

2 comentários:

Mestre Delta disse...

Bacana, parabéns.

Antônio Crotti disse...

Olá mestre!
Obrigado pelo comentário!
Grande abraço!
AEMC