sábado, 29 de dezembro de 2012

Eu te seguirei. Você me seguirá?


Sexta-feira, 28 de maio de 2010. 18h50min. O portão da garagem se levanta e seu carro estaciona. O portão se abaixa, o freio de mão é puxado e a porta se abre. Ele pega sua mochila com carteira, celular e notebook, fecha a porta do carro e começa a vencer os vãos de escada. Enfia a mão no bolso, à procura do molho de chave. Há várias delas. Passa uma, duas, três, quatro... Encontra a chave na nona tentativa. Já impaciente, gira a chave na fechadura e ganha a varanda. A porta da cozinha está fechada. Ele a abre. A casa está vazia.
19h30min. Após o banho e a sopa quente, ele segue para a sala. Abre uma das gavetas da estante e escolhe um dos DVDs de sua coleção. Ele liga a televisão e o aparelho de DVD, acomoda-se no chão da sala ao lado da bandeja, repleta de pedaços de melancia, e inicia sua viagem.
22h. O filme termina. Ele abre a gaveta do aparelho de DVD, retira o disco, coloca-o novamente na capa e o guarda de volta na gaveta da estante. Por uns instantes, ele fica parado, sentado no tapete da sala, olhando para o chão. “E agora?”, pensa ele. Ele está sozinho, pode fazer o que quiser. Mas o que significa liberdade quando se está sozinho? Ele se levanta. Calça os chinelos e começa a andar pela casa. Ele pode ouvir o eco dos próprios passos. Ele segue em direção ao quarto. Na cama, a colcha amarrotada conta que ela passou um tempo por ali. Ele pega o travesseiro. Fecha os olhos, respira fundo. O seu cheiro lhe preenche os pulmões. “Que falta você me faz...” No banheiro, as maquiagens, o espelho, os pincéis. No boxe, a toalha ainda molhada. Seu perfume ainda toma conta do banheiro.
22h10min. Ele segue para a sala. No sofá, as almofadas ainda estão como ela as deixou. Ele fecha os olhos e a vê deitada, acomodada entre as almofadas. “Que lindinha...”, diz ele, com um sorriso no rosto. Então ele segue para a cozinha. Lá ele encontra o prato de sopa que ela deixou no fundo da pia. Ele o pega, abre a torneira e o lava. Enfim, ele segue para o escritório. Além do trabalho, não há nada para fazer. Ele liga o computador e acessa a internet, à procura de algum vídeo. Por alguma razão, ele cai em um vídeo da música “Follow you, follow me”. Curioso, ele busca a sua tradução. “Eu te seguirei. Você me seguirá?”, diz o refrão. Com um nó na garganta, ele deixa as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Está cada dia mais difícil passar as noites longe dela. Ele sente muito a sua falta. Estão casados há quase dois anos. “Eu posso dizer: a noite é longa, mas você está aqui ao alcance de minhas mãos...”, diz a música. Sim, ela está em todos os lugares daquela casa, mas suas mãos não podem alcançá-la.
22h45min. De repente, ele ouve um barulho. Quase que adormecido, ele se coloca de pé, assustado. Subitamente, um outro estrondo vindo da garagem. Ele corre para a porta e a abre. A porta do carro se abre e ela vem ao seu encontro. Os dois se abraçam. Seus rostos se encostam; seus lábios também “Que saudade”, dizem um para o outro. “... mas eu prefiro o sorriso que você me dá. E eu posso dizer que enquanto eu viver, eu te seguire. E você, me seguirá?”, diz a música, que ainda toca no computador do escritório. Ele a abraça forte. “O que foi, meu amor?”, pergunta ela. “Não foi nada”, responde ele, com os olhos em lágrimas. “Deixe-me apenas senti-la”. “...e teremos apenas uma lágrima solitária a cada passar de ano”.

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