quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Natal é todo dia!

24 de dezembro. 19h. Estou com o Miguel no colo, olhando as estrelas pelo céu da janela da varanda. “Lá teté!”, diz ele apontando para a lua. No canto da parede atrás de mim, a alguns metros, está a árvore de Natal repleta de luzes, todas apagadas. A varanda está escura. A guirlanda continua na porta da sala, que está fechada. O tapete vermelho e branco com um desenho de papai Noel contendo os dizeres “Feliz Natal”, que se encontra no hall de entrada, não foi tocado por nenhum outro pé que não fosse o meu, o da Débora ou do pequeno Miguel. Na mesa onde foi feita a ceia do ano passado não há sequer toalha.
20 h. Estaciono o carro em frente à casa de meus pais. Desço e abro a porta para retirar o Miguel. O portão se abre. É minha irmã. Ela vem em direção ao Miguel. Débora desce pela porta do outro lado. As duas se encontram e se cumprimentam. Eu não via esta cena desde o último aniversário do Miguel. Entramos todos, eu, a Débora e minha irmã com o Miguel nos braços, pelo corredor. Próximo à varanda está o papai, parado. Está com um olhar iluminado e um sorriso prestes a tomar conta de seu rosto. Ele olha pra minha mãe e diz algo do tipo “Eles vieram”.
21h. Estamos à mesa. Antes de iniciarmos a comilança, damos as mãos e rezamos a Deus pela saúde e por estarmos todos aqui reunidos.
22 h. Tia Ângela, vovó Maria e vovô Mila chegaram. Agora não falta mais ninguém. Após distribuírem os presentes, vovô Mila, mamãe e Clarinha sentam-se e observam o Miguel brincando. Ele está jogando os pequenos bois que vieram no caminhão de boiadeiro que o vovô Mila lhe deu. “Ele está colocando os bois para pastara”, brinca minha mãe. O papai ri. “Como ele é lindo!”, diz tia Ângela. “Dá vontade de morder!”, solta minha irmã. Débora e eu estamos orgulhosos e felizes.
23 h. Estou novamente na varanda de casa. Miguel já está dormindo em seu quarto. Acendo as luzes da árvore de Natal e ligo a televisão. Débora e eu sentamo-nos no sofá e. Passo o braço por cima de seu ombro. Entreolhamo-nos. “Feliz Natal, meu amor”, dizemos um ao outro quase que ao mesmo tempo. Após alguns minutos de papo, ela não contém a curiosidade e pergunta se estou triste por termos passado a noite de Natal na casa dos meus pais e não aqui em casa. “De modo algum” – respondo – “No ano passado nós esperamos que a noite de Natal fosse como as propagandas que passam na televisão: família unida, todos alegres compartilhando de um sentimento mágico que não existe. Já hoje nós estivemos reunidos como em um dia qualquer, sem cerimônia ou expectativas. E você pode ter certeza de que Deus estava entre nós.” Paro por um minuto, olhando pelo céu estrelado da janela. “Hoje nós proporcionamos a felicidade ao invés de esperarmos que ela viesse até a nossa casa. Foi uma das noites de Natal mais felizes dos últimos anos.”
Qual é, afinal, o sentido do Natal? Celebrar uma união que não existe entre pessoas que mal se vêem ou se falam durante o ano? Não! A ideia é celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Para isso, é preciso apenas ter Deus e bondade no coração. E se você conseguiu sentir a chama de Jesus brotando em seu coração neste Natal, tenha a certeza de que todos os seus dias daqui pra frente serão Natal. Na verdade, deveria ser Natal todos os dias.

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