sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Uma hora de academia


16 h. Ele estaciona o carro em frente à academia. “Que ridículo! Se quero manter a boa forma, por que não venho caminhando?”, pensa ele ao lembrar que a academia fica a apenas 500 m de casa. Pega as luvas, o tocador de mp3 com os fones e as chaves e sigo em direção à entrada. Como sempre, as luzes estão apagadas. Questão de economia. Talvez nem seja consciência, e sim por corte de gastos. Então ele sobe as escadas e segue em direção à prancha de abdominal. A prancha, aliás, está sempre vazia. Ninguém costa de fazer abdominais...
16h15min. Entra na sala de aparelhos um rapaz que ele não via há tempos. Ele puxa a conversa:
- E aí, tranquilo?
- Beleza! Você afinou, hein?, responde o camarada.
- É... eu perdi 7 quilos – responde ele, meio constrangido.
- Perdeu porque quis?
- Sim. E você? Parece que conseguiu uns quilos, hein? - diz ele, olhando para o abdômen arredondado do camarada.
- É... Eu consegui 15 quilos de massa!
- Então agora você tá satisfeito?
- Não, ainda não. Tô tentando ganhar mais uns 5 quilos.
- Pô, vai firme!
Então ele segue para a prancha de abdominal, para uma sequência de sofridos exercícios abdominais. Após 50 repetições, ele pára para um descanso. De relance, ele vê um rapaz em frente ao espelho, que estufa o peito, virao de lado, contrai os bíceps e os fica admirando. Seria cômica, se não fosse narcisista.
16h30min. Ele sobe na esteira para alguns minutos de caminhada e de corrida. Enquanto caminha, percorra a academia com os olhos. Na entrada, um rapaz “bombado” conversa com o dono, que pega um pote de suplemento para ele, que certamente sobrecarregarão seu rim e seu fígado terão nos próximos meses. 
Mais adiante, um outro rapaz, que três semanas atrás era raquítico, começa a preencher os vazios da camiseta. À sua frente um outro rapaz alto, com uma proteção abdominal, que parece não conseguir fechar os braços, talvez pelo volume de suas costas ou, ainda, por ter depilado as axilas. Por fim, ele nota que praticamente não há mulheres naquele ambiente. Encostada a um pilar, a professora permanece estática, olhando para o chão. Talvez esteja em busca de uma resposta para o fato de os peitorais dos outros alunos importar mais para os que ali estão que o volume dos seus. 
16h50min. No aparelho de mp3 começa a tocar “Going to distance”, tema do filme Rocky II – a revanche. Ele acelera o passo e atinge 14 km/h. Suas passadas se alargam. Alguns rapazes o olham. Devem estar pensando: “Que mané! Desse jeito ele vai perder massa muscular.” Sem problemas. Cada um segue em busca de seu objetivo. E mesmo que os objetivos sejam diferentes, todos convivem bem. E assim a vida na academia segue: cada um na sua. 

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