sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Atropelamento no parque


Quarta-feira, 16 de janeiro. Estamos no Parque do Gorilão, no Novo Shopping Ribeirão Preto. Miguel está andando de carrinho enquanto Débora o observa e tira fotos. Clara está brincando no escorregador, enquanto minha irmã a observa e também tira fotos. Enquanto isso, estou na barraca comprando algo para comermos. Olho para o céu e vejo nuvens carregadas. O vento úmido indica que a chuva virá em poucos minutos.
A fila anda e eu finalmente consigo comprar as fichas de que preciso. Peço um refrigerante, um prato de milho cozido e um pastel de queijo. Entrego uma nota de R$20,00 e a moça me devolve R$8,00 de troco. Sigo então para o balcão, pego uma lata de Kuat e me dirijo à banca para pegar o pastel e o prato de milho.
Estou com a lata de refrigerante debaixo do braço esquerdo, com o prato de milho na mão direita e o pastel na mão esquerda. Ouço então um barulho de pingos colidindo com as telhas. A chuva começou a cair. E com força! Vejo então um corre-corre de pessoas seguindo em busca de abrigo. Débora, Miguel, Clara e minha irmã seguem para uma outra barraca. Eu as vejo, mas elas não me vêem. Lembro-me então de a Débora ter dito que estava com fome. “Não posso demorar”, penso. Preparo-me então para seguir correndo para onde elas estão.
Começo então a correr, porém devagar. Não dá pra fazer muita coisa com as mãos cheias. De repente, um adolescente aparentando uns 17 ou 18 anos, com óculos escuros, boné e roupa escura surge em minha frente, correndo em direção à tenda de onde eu acabei de sair. Está rindo, ele e outros dois colegas. Estão correndo da chuva. Ele vem em alta velocidade. O chão está molhado. Ele não consegue parar. Para proteger-se, ele estica os dois braços. Suas mãos tocam meu peito. Já as minhas mãos, preocupadas em proteger a comida, não têm o que fazer. Sou projetado para trás, e com o chão molhado, meus pés deslizam e eu “prancho” no chão. Um ruído seco se faz quando meus joelhos e cotovelos colidem com o chão. Bato também o abdômen e as genitálias. Meus óculos voam longe. Tudo o que eu acabara de comprar também foi para o chão. Assim como caí, num piscar de olhos eu também me levanto e parto para cima do rapaz. “O que é isso, cara? Cê tá ficando louco?” Ele responde. “Eu tava correndo da chuva”, diz ele, aparentemente amedrontado. Eu subo o tom de voz, bastante irritado. “Olha aí o que você fez! Eu perdi tudo o que acabei de comprar... Você vai ter que pagar!” Ele então arranca duas notas de R$10,00 do bolso e pergunta quanto é. “R$12,00”. Ele então estica-me a mão com as duas notas e eu enfio a mão no bolso para devolver-lhe o troco que recebi há poucos minutos. Assim que ele recebe o dinheiro, ele e os dois colegas somem em meio à multidão, enquanto eu permaneço ali, com o dinheiro nas mãos, molhado, sujo e com minhas articulações inchadas.
Com o dinheiro nas mãos, sigo novamente para a fila. Débora e minha irmã perguntam porque estou sujo. Eu explico. Elas lançam-me um olhar de pena. Já não mais nervoso e com o sangue um pouco mais frio, começo a sentir dor. Após comprar um novo pastel, uma nova lata de refrigerante e um outro pastel, sento-me em um banco ao lado da barraca. Estou todo dolorido. Fui literalmente atropelado. “Mas ele era grande?” pergunta minha irmã. A única resposta que me vêm à boca: “Eu estava com as mãos ocupadas, não tive como me defender. Mas não foi por maldade, ele estava correndo da chuva também. E ainda foi gente boa, pois pagou tudo o que eu havia comprado”.
Em poucos minutos várias pessoas do parque vem até mim. “Moço, o senhor machucou?”, diz uma moça da banca. Um bombeiro insiste pra que eu vá fazer umcurativo. “Não se preocupem, estou bem,”, respondo. Enquanto isso, inconformada, minha irmã conversa com o responsável pelo parque. Em instantes ela volta rindo com dois bilhetes de cortesia. Se Deus quiser, amanhã será um novo dia no Parque do Gorilão. Sem chuva. E sem atropelamentos.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Por que o Superman?



               Não sei dizer com precisão onde e quando surgiu o conceito de super-herói. Sei apenas que o Superman, criado no início do século passado, é o mais velho deles. O Superman surgiu nas histórias em quadrinhos. Forte, boa aparência, com habilidade de vôo, sopro congelante, super-velocidade, visão de calor e de raios X. Em resumo, é um super-humano, quase indestrutível.
Nos anos que se seguiram diversos outros super-heróis foram criados. Atualmente é difícil de precisar quantos heróis e quantas super-equipes existam. Se você não é um “nerd”, tentarei ser bem didático: Homem Aranha, X-Men, Motoqueiro Fantasma, Thor, Hulk e demais vingadores, bem como o Demolidor, são super-heróis da editora Marvel, enquanto Superman, Batman, Mulher Maravilha, Flash e Lanterna Verde são super-heróis da DC. Quando comecei a comprar HQs, eu tive a sensação de que os alter-egos dos heróis da DC eram quase todos heróis "ricos": Bruce Wayne (Batman) perdeu os pais em um assalto, mas herdou uma fortuna; a Mulher Maravilha é a princesa Diana; Barry Wallen (Flash) é um cientista e Hal Jordan (Lanterna Verde) é piloto. Já os heróis da Marvel são mais "humanos" e pobres: Peter Parker (Homem Aranha) é um pobretão órfão; o Matt Murdock (o Demolidor) é advogado, mas é solitário e é cego; Bruce Wayne (Hulk) é um gênio, porém foi atingido por uma radiação gama que o transformou em um monstro, incapaz de ficar ao lado de Bete, sua amada.
Superman foi o primeiro super-herói a ir para as telonas dos cinemas. O finado ator Christopher  Reeve deu vida ao Superman e nos fez acreditar que era realmente possível voar. Isso nos dois primerios filmes, já que os dois últimos foram uma lástima. Quase 20 anos depois a Warner, detentora dos direitos do "azulão", decidiram rodar um outro filme do Superman. Eu até gostei do filme na época, mas olhando hoje, deu pra ver que ficou bem fraquinho, sem ação alguma. A franquia estava indo para o buraco. Lançaram então o Lanterna Verde. Um fiasco!
Do outro lado, a Marvel resolveu filmar seus próprios filmes. Até então ela havia vendido o direito de alguns deles (como o Homem Aranha Justiceiro, Quarteto Fantástico e X-men) para outros estúdios. Homem Aranha, X-men, assim como Thor, Homem de Ferro e Vingadores foram sucessos absolutos de bilheteria. Enquanto isso, a DC batia cabeça com filmes como "Batman, o retorno" e "Batman eternamente", que mais se pareciam com comédia que com filmes de ação.
Em 2003, o seriado Smallville ajudou a despertar em mim a simpatia pelo Superman. A série mostrada os anos da adolescência de Clark Kent e sua paixão platônica por Lana Lang. A identificação foi imediata e eu comecei a baixar episódios pra assistir no computador. Depois vieram as revistas em quadrinhos. Comecei a comprar alguns quadrinhos, como a série "Identidade secreta", que considero uma verdadeira obra de arte. Mas no cinema o filme "Superman, o retorno", de 2006, que prometia muito, acabou decepcionando pela falta de ação.
Ora, você deve estar se perguntando porque estou listando todas essas baboseiras nerds. Muito simples: em meados deste ano será lançado o próximo filme do Superman, chamado "Superman, man of steel". Assisti ao trailer e juro que fiquei... emocionado! Há um tom muito melancólico no trailer, como se o Superman precisasse negar a si mesmo por ser diferente. Então eu me dei conta de que ser o Superman deve ser algo complicado. Os pais dele morreram e ele foi enviado para um planeta onde ele é diferente de todos, e onde ele precisa se fazer de fraco pra ser comum. Se o Superman existisse, todos gostariam de ter os poderes dele. Mas e as suas responsabilidades? 
Assistindo ao trailer, descobri por que o Superman é o meu herói predileto: porque ele tem um bom coração. Ele é o que se espera de um verdadeiro super-herói. Ele é assim porque sua essência é boa. Protege os humanos porque, de certa forma, é grato por eles o terem acolhido. E outra: o Superman não mente. Seu maior ponto fraco não é a kriptonita, e sim gostar das pessoas. Em tempos em que Batman foi um dos filmes mais vistos no cinema devido ao seu lado "dark" e em que todos esperam um filme do Superman sombrio, eu espero um filme carregado de emoção. Como disseram os produtores do filme, "Fizemos o filme que a humanidade está precisando". Para traduzir minhas expectativas sobre o filme, usarei uma frase do Érico Borgo, do Omelete: "Será que o mundo está preparado para um novo filme do Superman?"
Para finalizar, fica aqui uma reflexão: por que a humanidade parece não apreciar mais a bondade, e sim a violência?. É por isso que o Superman é um herói ultrapassado: porque ele é bom. É por isso que há uma grande chance do filme ser um fracasso de bilheterias. E é por isso que o Superman sempre será o meu herói predileto.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Débito


5 de janeiro. Este é o quinto dia de 2013. Não sei como vai ser este ano. Os primeiros dias sempre me preocupam. Dá sempre um frio na barriga, uma certa “ansiedade”. Por enquanto, a harmonia em família voltou a reinar. Todos estamos com saúde – claro, uma dorzinha aqui, outra ali sempre vai existir... - e as coisas no trabalho tem tudo pra dar certo este ano. Uma de minhas preocupações vai ser retribuir de alguma forma. Não sei se mereço tantas bênçãos... O que posso dizer é que estou em débito com Deus.