quarta-feira, 1 de maio de 2013

Amigos queridos que vão partindo


Meu pai sempre disse que a morte faz parte da vida. Por mais estranha que esta frase soasse, os anos foram me mostrando que esta frase faz sentido. Afinal, vários familiares, colegas e pessoas conhecidas foram partindo deste plano desde que me entendo por gente, deixando saudades e inúmeras boas lembranças.
Para os familiares, a dor sempre é presente nos momentos da partida. Não importa se quem parte tem quase 100 anos ou se é alguém que vinha sofrendo de uma doença grave e vinha se debilitando aos poucos; o choro e a dor são inevitáveis. Entretanto, as situações mais dolorosas – e, por que não dizer, incompreensíveis – são aquelas em que as pessoas que partem são jovens.
Na época de colégio, nosso colega Geraldo Menani Júnior veio a falecer de traumatismo craniano no meio de uma brincadeira: ao tentar subir no palanque onde a bandeira era hasteada, um dos colegas o empurrou e ele bateu com a cabeça. Tempos depois, um de nossos colegas conhecido por Alexandre “Capão” sofreu um acidente de moto na Via Anhanguera enquanto retornava embriagado de uma cidade vizinha e veio a falecer. Eram pessoas jovens, que tinham a vida toda pela frente.
Na minha vida adulta, uma das passagens mais dolorosas foi o falecimento de minha amiga Ana Cláudia Sacilotto. Tinha eu um carinho muito grande por ela, o que vocês podem comprovar através das postagens que dediquei a ela aqui neste blog. O que mais marcou foi o fato de ela ter partido aos 40 anos, sem ter cumprido a missão que começou: ela deixou uma filha com menos de um ano de idade, além de outra, que devia beirar os quatro anos. Percebi então que a dor é maior quando as pessoas que partem não são apenas jovens, mas que não tiveram a oportunidade de terminar o que começaram.
Hoje, 1º.de maio de 2013, tive durante a manhã a notícia de que dois colegas queridos partiram. Um deles, o Alexandre Dezem, era professor de Química na ETEC Pedro Badran. Ele era irmão de um colega de infância, o Frederico. Meu primeiro contato com ele foi durante as viagens à Franca, durante a graduação. Ele se sentava nos últimos bancos, ao lado da Laura, que viria a tornar-se sua esposa. Embora nos falássemos pouco, eu sabia que ele também cursava Química e que era o responsável pelo laboratório de controle de qualidade da então Carol. Em 1999, quando eu havia acabado de ingressar no mestrado, recebi uma ligação dele perguntando se eu não podia esclarecer-lhe algumas Naquela época ele havia começado sua carreira como professor de supletivo da escola Yara. As poucas noites em que nos encontramos para discutirmos alguns tópicos de Química foram suficientes para que surgisse entre nós uma amizade baseada em admiração e muito respeito. Para minha satisfação, nos anos seguintes ele viria a tornar-se um professor muito querido e reconhecido na cidade. Durante vários anos ele foi professor e coordenador do curso de técnico em Química da ETEC Pedro Badran, uma das melhores escolas aqui da cidade. Eu me lembro dele, inclusive, indicar-me algumas vezes para ministrar algumas aulas de substituição. O “Dezem”, como era conhecido e admirado, sofria nos últimos tempos com uma ou mais hérnias de disco e, por esta razão, teve que submeter-se a uma cirurgia. Um dos riscos era a embolia pulmonar, que uma semana após a cirurgia fê-lo sucumbir. Aos 41 anos de idade, Dezem deixa sua esposa e dois filhos para criar, missão que ele não terá oportunidade de concluir...
Outro colega que também faleceu foi o França. Nós jogamos futebol de salão juntos no início dos anos 2000 na quadra da Academia Verde Vida com o pessoal da Microbarra. Dotado de uma canhota muito habilidosa e de um chute preciso, o França era um ótimo companheiro de time: não era fominha e era fácil trocar passes com ele. Tempos depois eu o encontrei no ônibus, em uma das muitas viagens para Ribeirão Preto durante a pós-graduação. Ele me dissera que a loja onde ele trabalhava havia fechado, e pelo que me lembro, ele havia se transferido para outra cidade, agora na empresa de eletrodomésticos Colombo. Por essa razão, havia colocado sua casa à venda. Tempos depois, ele conseguira transferência para a unidade da Colombo aqui de São Joaquim da Barra. Certa vez ele deixara escapar que tinha sido premiado com uma viagem para o Nordeste por ser um dos melhores gerentes da região. E não era pra menos: ele sempre cobria os preços da concorrência. Certamente atingia todas as metas que lhe eram impostas. Talvez a pressão por atingir essas metas tenha sido a responsável pelo infarto fulminante que o separou de sua família. França, segundo dizem, morreu sentado, sem qualquer chance de sobreviver ao infarto, deixando para trás sua esposa e, até onde sei, dois filhos, cuja formatura ele não terá chance de assistir. Ele tinha menos de 45 anos.
A esta hora, Dezem e França devem sentados ao lado do Pai, contando um pouco de suas experiências aqui neste plano. Talvez Ele considere que os dois cumpriram exemplarmente os seus papéis aqui conosco, como filhos, pais, esposos e amigos, e que já haviam evoluído o suficiente em suas passagens nesta vida. Esta é a única explicação plausível que consigo encontrar para entender a partida de ambos e da Ana Cláudia. Que suas famílias também estejam com Deus neste momento tão difícil e doloros.

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