sábado, 29 de junho de 2013

Isso sim é uma história triste...

Ontem participei de uma banca de defesa de doutorado na Universidade Federal de Uberlândia. A banca era às 14h. A secretária da pós-graduação ligou-me dizendo que um motorista viria buscar-me em casa por volta das 8h. Disse-me que o motorista seria o senhor Lázaro.
Às 8h15min ouvi um carro parando em frente ao portão. Peguei rapidamente a mochila com a tese de doutorado e corri em direção ao portão. Quando abri o portão dei de cara um homem sorridente, com a mão estendida. “Seu Lázaro?”, perguntei. “Carlos, professor. Muito prazer”.
Durante a viagem fomos conversando e o Carlos acabou contando-me um pouco de sua história, uma das mais tristes que já vi até hoje. Disse-me que seus pais, ele e seus três irmãos moravam na zona rural. Quando ele tinha seis anos, sua mãe abandonou a família e fugiu com outro homem. Desesperado, sem entender o que havia acontecido, ele muniu-se de um embornal, encheu-o de frutas e caminhou 40 km até a cidade mais próxima, em busca da mãe. Sem obter êxito, retornou para casa. Ainda teve a sanidade de conter seu pai e evitar que ele fosse atrás do homem matá-lo. Seu pai acabou falecendo 15 anos depois, ainda apaixonado pela mãe... Há quinze anos atrás, após a morte de seu companheiro, sua mãe retornou de mãos abanando e hoje mora com Carlos e sua família. Por tudo isso, Carlos demonstrou em nossa conversa uma profunda admiração pelo pai, que se manteve firme na criação dos filhos.

Histórias como a de Carlos são muito comuns e extremamente tristes. Ele tinha tudo para tornar-se uma pessoa envolvida com coisas ruins, mas ao invés disso tornou-se um pai de família. Pelas palavras que ouvi dele, seus filhos o adoram. No fim das contas, eu o agradeci muito pela viagem. Em um mundo em que todos desistem facilmente e se entregam ao álcool e às drogas, foi realmente um privilégio conhecer pessoas como o Carlos. Sua vida faz-nos refletir sobre as ocasiões em que pensamos em desistir e a não nos queixamos quando temos problemas.