domingo, 8 de setembro de 2013

De volta - de novo!

Há meses este blog não recebia atualizações. De fato, minha vida nos últimos meses tem tido um ritmo diferente do que eu estava acostumado. Tenho procurado não acessar muito o computador aqui em casa (só o estou fazendo agora porque estão todos dormindo...). Desde que fui aprovado no concurso e iniciei minhas atividades no novo emprego, tenho procurado separar as coisas: trabalho deve ser feito no trabalho, não em casa. E acessar a internet em casa sempre acaba em algum trabalho...
Em março, pouco antes de deixar o antigo emprego, fiz uma nova cirurgia espiritual para curar os joelhos e o esporão no calcanhar esquerdo. Os resultados não poderiam ser melhores: voltei a correr e a jogar futebol. Algo que me deixou bastante feliz foi notar que estou jogando sem proteções (caneleiras, tornozeleiras, proteção para a coluna) e sem lentes de contato. Ou seja, estou praticamente mais saudável que há cinco anos, quando me casei.
No novo emprego as coisas vão indo bem. Aos poucos estou me sentindo mais “em casa”, embora não conheça a maioria das pessoas com quem trabalho. É bem diferente de onde eu trabalhava, onde todos se conheciam e sabiam da capacidade um do outro. Isso, pra ser sincero, não me chateia. Prefiro cada um na sua.

Estamos ansiosos pela chegada da Alice. Como disse na postagem anterior, ser pai de menina vai ser um grande aprendizado. Desde já nos sentimos abençoados pela oportunidade de termos um casal de filhos. Só espero que se dêem bem. Aliás, esperar é a coisa que a gente mais faz quando se tem filhos...

Carta ao meu segundo anjinho

Meu querido bebê,
Você está na barriga da sua mamãe há mais de 30 semanas. O corpo de sua mamãe tem reagido diferente da gravidez anterior. Não surgiram manchas na pele da sua mamãe, como ocorreu na gestação do seu irmãozinho Miguel. Você já parece reconhecer minha voz. Às vezes, quando falo próximo à barriga da sua mamãe, você se mexe e faz ondas na barriga da sua mamãe. Eu espero que você seja uma criança tranquila e educada, que nasça saudável e que nós consigamos dar uma boa educação a você. A esta altura, com a experiência que estamos adquirindo na educação do seu irmão, já posso dizer que será uma missão difícil, principalmente nos tempos atuais. As pessoas são, em sua maioria, egoístas, são mal-educadas e ríspidas. Por isso, se você souber dizer “desculpas”, “por favor” e “obrigado”, você será alguém que as pessoas gostarão de ter por perto. 
Outro dia sua mamãe foi comprar roupas para você. A princípio, nós não víamos problemas em você usar algumas roupinhas do seu irmão, mas você terá que ser suas próprias roupas também. Ao tocar neste assunto e ao mencionar seu ainda pequeno irmãozinho, sinto necessidade de deixar algumas palavras pra você ler daqui a alguns anos – não sei necessariamente a quantos, pois as crianças estão amadurecendo cada vez mais cedo...
Assim como ocorreu com sua tia Hérica, você virá ao mundo já tendo um irmão. E assim como eu, seu irmão Miguel é que estará aguardando sua vinda. Por ter sido o primeiro, ele tem tido até então a atenção de todos. Quando você nascer, as atenções se dividirão. Isso será um choque para ele, assim como foi para mim. Por outro lado, será um aprendizado para ele, pois ele terá que aprender a dividir o espaço, o amor e a atenção com você. Aliás, vocês terão que aprender a dividir as coisas e a se respeitarem. Eu espero, sinceramente, que vocês sejam os dois melhores irmãos do mundo e que sejam dois filhos maravilhosos. Quero que se dêem bem e que se amem um ao outro. Não quero que se prendam a coisas materiais, que disputem entre si pra ver quem tem mais brinquedos ou coisas do tipo. Pelo amor de Deus! Vocês são, sim, filhos dos mesmos pais e são sangue do meu sangue, mas desde a gestação são únicos. Haverá, obviamente, algumas características que eu gostaria que vocês tivessem em comum, como a educação, a vontade de estudar, o senso de responsabilidade, o respeito pelas pessoas e a aptidão por fazer atividades físicas. Isso, porém, é algo pelo qual eu posso apenas rezar, sem esperança de ser atendido. Afinal, a cada comparação que fizerem entre vocês, a tendência é que vocês, desnecessariamente, busquem fazer o contrário para reforçar que são diferentes. Eu não sei por que as pessoas tendem a se comparar umas às outras, em dizer quem é bom e quem é ruim. Essa classificação é, na maioria das vezes, tendenciosa e tem a intenção de colocar você e seu irmão um contra o outro. Não deem ouvidos a isso, por favor!. De qualquer forma, eu gostaria que você amasse muito o seu irmãozinho e que tivesse paciência com ele. Nós estamos conversando com ele e o estamos orientando a tratar você muito bem. Ele o fará, mas precisamos da sua colaboração pra que esse bom tratamento seja mútuo.
Quero terminar esta carta dizendo que você já é uma bênção em nossas vidas. Ser seu pai será uma grande honra, e por que não dizer, uma das maiores lições de minha vida. Estou muito ansioso e espero não cometer na sua educação os mesmos erros que seu avô cometeu na educação de sua tia. Por isso reforço que criar-te e educar-te será um grande aprendizado, pois não tenho muitos modelos a seguir. Só o tempo dirá se nós fomos bem-sucedidos.
Na época da gestação de seu irmão, a maioria de meus colegas na época dizia que ser pai de menina era melhor que ser pai de menino. Talvez dissessem isso porque fossem pais de meninas e, em razão disso, reforçavam os pontos positivos. Após o nascimento do seu irmão, eles continuavam dizendo a mesma coisa, principalmente reforçando que as meninas são mais carinhosas. Pois bem. Deus concedeu-me a bênção de ser agora seu pai, minha querida Alice. Você levará o nome de minha tia avó, uma pessoa muito amável e honesta, de quem nós sentimos muita saudade. Você atenderá o mesmo número de telefone que ela atendeu, que seu vovô herdou e me deu de presente. Espero não decepcioná-la como pai, e da mesma forma, espero que você não nos decepcione.
Nos falamos em breve, minha querida filhinha...
Nós te amamos muito, meu pequeno anjinho!
Com amor,
Papai

O concurso - parte final

Quarta-feira, 20 de fevereiro. 9h30min. Entro na sala e me posiciono para a argüição. Para mim este é o momento mais difícil do concurso. Já passei por argüições nos dois concursos anteriores e não foram boas experiências. Os membros da banca fazem questões provocativas para verificar como o candidato se sai pra responder. É preciso ter jogo de cintura e tomar cuidado com o que se diz nessas horas.
Como eu previa, as perguntas que vão surgindo são contundentes. Em uma delas, conforme eu já esperava, um professor questiona o fato de eu não ter saído do país. Essa é a mais difícil de explicar, pois eu não posso falar a verdade. Nessas horas não é permitido culpar as condições econômicas de minha família, que não me permitiram cursar inglês na adolescência. Em uma banca não é permitido “fazer-se vítima da vida”. Minha resposta terá que girar em torno de “falta de oportunidade” ou coisas do tipo. O fato é que, caso eu seja aprovado, terei que passar um ano fora do país. É uma experiência que eu realmente sinto que falta, mas que envolverá grande sacrifício pessoal.
A argüição termina. Eu saio com a sensação de ter sido bombardeado. No final, os examinadores pedem que eu retire um tema para a aula de amanhã. Coloco a mão no saquinho e retiro um tema do qual já dou aulas faz tempo. Sigo então direto para casa. Serão mais 24h de tensão...
Quinta-feira, 10h30min. É minha vez de dar a aula. Preparei os slides até de madrugada, estou bastante cansado. E nervoso, obviamente... Aos poucos consigo ir dando seqüência à aula. Na sala, além dos examinadores, mais três pessoas – um professor e dois colegas. No final, saio com a sensação de dever cumprido. Agora está nas mãos de Deus – e, claro, dos examinadores.

15h30min. As notas começam a ser divulgadas. Aos poucos vou descobrinndo que minhas notas foram melhores que as da outra candidata. A cada nota minhas pernas vão bambeando. Estou cada vez mais próximo da vaga... Quando divulgam o resultado, fraco, fisicamente e psicologicamente. Não consigo comemorar... mas a vaga é minha!