domingo, 8 de setembro de 2013

O concurso - parte final

Quarta-feira, 20 de fevereiro. 9h30min. Entro na sala e me posiciono para a argüição. Para mim este é o momento mais difícil do concurso. Já passei por argüições nos dois concursos anteriores e não foram boas experiências. Os membros da banca fazem questões provocativas para verificar como o candidato se sai pra responder. É preciso ter jogo de cintura e tomar cuidado com o que se diz nessas horas.
Como eu previa, as perguntas que vão surgindo são contundentes. Em uma delas, conforme eu já esperava, um professor questiona o fato de eu não ter saído do país. Essa é a mais difícil de explicar, pois eu não posso falar a verdade. Nessas horas não é permitido culpar as condições econômicas de minha família, que não me permitiram cursar inglês na adolescência. Em uma banca não é permitido “fazer-se vítima da vida”. Minha resposta terá que girar em torno de “falta de oportunidade” ou coisas do tipo. O fato é que, caso eu seja aprovado, terei que passar um ano fora do país. É uma experiência que eu realmente sinto que falta, mas que envolverá grande sacrifício pessoal.
A argüição termina. Eu saio com a sensação de ter sido bombardeado. No final, os examinadores pedem que eu retire um tema para a aula de amanhã. Coloco a mão no saquinho e retiro um tema do qual já dou aulas faz tempo. Sigo então direto para casa. Serão mais 24h de tensão...
Quinta-feira, 10h30min. É minha vez de dar a aula. Preparei os slides até de madrugada, estou bastante cansado. E nervoso, obviamente... Aos poucos consigo ir dando seqüência à aula. Na sala, além dos examinadores, mais três pessoas – um professor e dois colegas. No final, saio com a sensação de dever cumprido. Agora está nas mãos de Deus – e, claro, dos examinadores.

15h30min. As notas começam a ser divulgadas. Aos poucos vou descobrinndo que minhas notas foram melhores que as da outra candidata. A cada nota minhas pernas vão bambeando. Estou cada vez mais próximo da vaga... Quando divulgam o resultado, fraco, fisicamente e psicologicamente. Não consigo comemorar... mas a vaga é minha!

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