segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Romantismo é coisa do passado

Um dos grandes desafios que surgem com o passar dos anos é a maneira como lidamos com as mudanças nos costumes da sociedade. Mudam-se as roupas, mudam-se os comportamentos, mudam-se as normas de conduta. Há, obviamente, muitas coisas que mudam para melhores, mas outras que, no meu entender, seguem na direção oposta. É o caso, por exemplo, dos relacionamentos.
Venho das saudosas décadas de 80 e 90 e hoje estou me aproximando dos 40 anos. Na minha época de adolescência, eu pensava para “namorar” uma mulher, era preciso namorá-la primeiro. Curiosamente, minha forma de pensar já era ultrapassada para aqueles tempos. Não por acaso os botões de rosa que eu colocava à noite nas portas das casas de minhas “paqueras”, sempre com um verso originalmente criado por mim e inspirado na pretendente da vez, nunca davam em nada. Isso, obviamente, quando alguma menos espirituosa não dizia que eu estava fazendo papel de bobo (o que equivale hoje à expressão “pagando mico”). Já naquela época as moças se sentiam mais atraídas pelos homens mais falantes – curiosamente, eram os que menos estudavam!!! – e mais bonitos. Mas e o romantismo? Será que as mulheres não gostavam mais de homens que abriam as portas, eram gentis e educados? Não, naquela época elas já não gostavam...
Certa vez uma colega da casa de pós-graduação me disse que para ser seu namorado, o homem devia enviar flores, abrir a porta do carro, escrever versos e tantas outras coisas mais que eu sempre achei que deviam ser feitas. Por fim, ela disse que preferia ficar solteira a namorar um homem que não tivesse essas qualidades. Eu endossei o discurso dela e teria me tornado um grande fã desta moça, não fosse pelo fato de ela, à noite, ter “enchido a cara”, tomado todas e, no fim da noite, ter transado com um colega nosso. Ora, imaginem como eu fiquei confuso... Afinal, pra ser namorado tem que ser romântico; pra transar, não?
De lá pra cá já se passou uma década. “Ficar”, hoje em dia, é quase sinônimo de ter relação sexual. O beijo tornou-se uma coisa banal: beija-se várias pessoas em uma única noite, sem haver qualquer compromisso entre os beijantes – muitas vezes, as pessoas que se beijam são completamente desconhecidas umas das outras. Que coragem! Ou seria irresponsabilidade?
Fico me perguntando onde vamos parar. Como serão os relacionamentos dos meus filhos? Daqui a uns 10 anos (ou não seriam tantos anos assim?) como estarão as relações humanas? Eu não faço a menor ideia. Apenas acho que houve um certo exagero na liberação da mulher, que hoje parece querer imitar o homem na sua promiscuidade afetiva. “Direitos iguais”, dizem elas com a devida razão. De qualquer forma, eu sinto falta de ver casais românticos, que namoram por anos e depois constroem famílias maravilhosas, como antigamente. Particularmente, tive a sorte de casar-me com uma mulher perfeita para mim. Mas e meus filhos? Será também o Miguel tachado de bobo (até lá acharão um outro sinônimo pra “bobo”) por ser romântico? Ou ele será como os outros? E a Alice? Como será a mulher moderna? Devo educa-la como na minha época ou isso só lhe traria sofrimento?

Ao final deste post, há uma única conclusão a que chego: estou ficando realmente mais velho a cada dia... Não apenas em corpo, mas também em espírito. E as coisas vão se tornando cada mais complicadas....

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