domingo, 3 de novembro de 2013

Falso professor ou professor falso?

Terça-feira, 7 de dezembro de 2007. Passei toda a manhã tentando preencher os diários e fechar as notas no ensino médio. Havia poucos alunos na escola, então preferi ficar em sala de aula, sozinho, a permanecer na sala de professores. Eis que um professor de Matemática veio conversar comigo. Trata-se de um homem de meia idade, que beira os 50 anos de idade. Ele é desquitado e adora uma “balada”. O professor adentrou a sala e começou a conversar comigo. Após alguns minutos de conversa, perguntei sobre o que havia causado a sua separação. Uma pergunta dessas está longe de ser “fuxico”. Minha intenção é conhecer cada vez mais sobre os relacionamentos. Afinal, a partir de maio próximo eu serei um homem casado. Sem meias palavras, o professor começou a contar-me sua vida. Senti tristeza em suas palavras, e em determinados momentos, lamentei muito a situação em que aquele homem se encontrava. Minutos depois ele deixou a sala e sumiu. Passado algum tempo, as faxineiras começaram a varrer a sala e me comunicaram que só havia eu de professor na escola. Foi então que decidi ir embora. “Ora, se não há alunos e todos os professores se foram, por que irei permanecer aqui?”, pensei. E assim o fiz. Quando estou me aproximando de casa, o celular toca. É a Ivani, nossa coordenadora. “Eduardo, onde você está?”, pergunta ela, com voz séria. Ao ouvir a resposta, ela diz: “Há um aluno aqui pedindo um trabalho para compensar as faltas. A diretoria disse que se você não estiver aqui, você vai ficar com falta”. A questão é que aquele aluno não estava na escola enquanto eu estava lá, caso contrário eu não teria vindo embora. Eu me recordo de tê-lo visto na porta da escola quando fui embora. “Pode colocar falta, pois não acho justo ter que voltar aí só pra satisfazer as vontades deste aluno. Se ele quisesse assistir às aulas ou quisesse realmente um trabalho, deveria ter ido à escola.” Para minha surpresa, fiquei sabendo, por meio de um outro professor amigo meu, que enquanto a diretoria falava que ia colocar falta para mim, aquele professor de meia idade com quem eu acabara de conversar dizia: “Eu concordo com você. Tem que ficar com falta mesmo.” Eu achava que tudo nesta vida tinha limite, mas a falsidade dos homens parece ser uma exceção. Fico então imaginando: o que será dos alunos nas mãos de professores desprovidos de caráter e de ética como este? Como é que se quer construir uma sociedade mais justa quando os próprios professores são os maiores defensores da “lei de Gérson”?

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