quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Carta aos meus filhos

São Joaquim da Barra, 12 de fevereiro de 2014.

Queridos Miguel e Alice,
Faz muito tempo que eu não lhes escrevo. Peço que me desculpem por isso, mas um dia vocês vão entender que eu tenho um motivo muito forte para ter me ausentado daqui: tenho estado o tempo todo ao lado de vocês. Um dia vocês hão de concordar que eu fiz a escolha correta optando por ficar com vocês ao invés de perder algumas horas tentando escrever uma história sobre vocês que eu não vivenciei de perto.
Eu não tenho medo algum de dizer que estou vivendo os melhores anos de minha vida e que estou tentando aproveitá-los ao máximo. No trabalho as coisas não poderiam ser melhores: consegui chegar onde sempre quis. No entanto, tenho procurado trabalhar somente durante o dia, no meu escritório. Em casa eu só trabalho quando é estritamente necessário, quando vocês dois estão dormindo. Afinal, eu não quero gastar com trabalho o tempo que eu tenho para vocês.
Miguel, você tem sido um filho incrível! É bonzinho e educado. Tem obviamente seus minutos de raiva e, também tendo os meus, eu te entendo (embora nem por isso eu deixe de te recriminar). Aos domingos nós já temos um roteiro bem definido: saímos de bicicleta, passamos na banca de jornal e compramos um “mais-mais” (é assim que você chama o chocolate M&M) para você e uma revista para a sua mãe. Seguimos então para a casa da bisa Maria Olívia. No caminho a gente coleta algumas flores de árvores e monta um buquê de flores para ela. Ela adora! Já acostumado, você pede pra ela colocar na água! Em seguida corre para o sofá e lá se concentra para desenhar sob os olhos atentos e cheios de admiração do biso Antônio Miller. Em casa a gente brinca com a fazendinha que a tia Ângela te presenteou; montamos “robozões” e brincamos de quebra-cabeças. São momentos maravilhosos e muito especiais. Como sua irmãzinha ainda é bebê, tenho dormido no seu quarto. Quando você acorda é o meu nome que você chama! Outro dia, quando ia saindo para o trabalho, eu fiquei te olhando e imaginando como é grande o amor de um pai por seus filhos. Quando virei as costas, ouvi você me chamando: “Papai, Miguel tá aqui...”




Alice, minha querida, eu e sua mãe nunca imaginamos que você pudesse vir tão linda! Seus olhos são incrivelmente azuis, provavelmente herança de sua avó Adelina ou, talvez, de seu avô Altair. Você é uma bebê alegre e muito sorridente. Tem a pele clarinha como a neve... Seu pediatra, o doutor Estevam, disse nesta semana que você, prestes a completar quatro meses, está com o tamanho e com o peso de um bebê de seis meses. À noite sou eu quem, muitas vezes, faço você cair no sono. Às vezes te nino no carrinho; outras vezes, no próprio braço. Mas sua mãe é quem realmente cuida de você. Ela é uma mãe extraordinária, tem feito tudo o que pode pra que você cresça forte, saudável, linda e inteligente. Ela se dedica tanto a você que no final da tarde, quando chego do trabalho, ela está exausta. Ao amamenta-la, as forças dela passam literalmente a você. Aliás, você tem sido um pouco teimosa ao não querer pegar a mamadeira – só quer o seio de sua mãe!




Bem, já é tarde. Preciso dormir (vocês e sua mamãe já estão...), pois amanhã é dia de trabalho. Para finalizar esta mensagem, quero apenas dizer-lhes que eu e sua mãe somos muito felizes por tê-los em nossas vidas. Não fazemos ideia do tipo de adolescentes e/ou de adultos vocês serão, mas independentemente disso, gostaríamos muito que vocês vivessem com seus filhos a felicidade que estamos experimentando com vocês. E se Deus quiser, se for a vontade dEle e se nós, seus pais, não falharmos na educação e na moldura do caráter de vocês, vocês experimentarão. Somente então vocês entenderão quão felizes nós fomos durante os dias que descrevi aqui. Espero que ao experimentarem tamanha felicidade vocês olhem para nós, eu e sua mãe, já velhinhos e sem forças, e se lembrem de quem nós fomos um dia para vocês. Quem sabe assim vocês nos reservem um pouco de amor e atenção...
Nós amamos vocês, meus queridos!
Com muito amor,

Papai

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