sábado, 6 de setembro de 2014

Futebol - até quando?

O futebol sempre teve um significado muito especial em minha vida. Quando mudei-me de Quirinópolis-GO para São Joaquim da Barra-SP, no início da década de 80, foi este esporte que ajudou-me a fazer novas amizades. Na segunda metade daquela década, já sócio do clube da Baixada, o futebol continuou a ser minha principal ferramenta para fazer novas amizades. Talvez o fato de eu ser esforçado e sempre jogar “sério”, pra ganhar, tenha me tornado um jogador que muitos queriam ter em seus times. Não pelo fato de eu ser um “craque”, absolutamente. Pelo contrário: sempre fui “caneludo”, pouco habilidoso e, por isso, sempre joguei na defesa. Independente disso, eu jamais fui desleal. Chegava “firme” nas jogadas, mas nunca machuquei ninguém ou entrei em confusão por causa do meu jeito de jogar futebol.
Nos tempos de pós-graduação o futebol continuou sendo de grande valia na minha integração social. Houve um tempo em que eu jogava quatro vezes por semana, três em Ribeirão Preto-SP, onde eu passava a semana toda estudando, e uma no sábado, em São Joaquim. Com o término da pós-graduação, em 2005, comecei a trabalhar e me vi como um atleta de final de semana. 
De 2006 pra cá o futebol só me trouxe problemas. Curiosamente, foi nesse ano que venci a casa dos 30 anos. As fortes dores nas costas após as partidas e que persistiam por dias fizeram-me procurar um médico. Fui diagnosticado com três bicos-de-papagaio. O médico disse que eu deveria emagrecer. Passei então a nadar todos os dias e a evitar o futebol. Cheguei a perder 10 kg, mas a dor não passava... Comecei então a jogar usando uma faixa de proteção abdominal para a coluna, além das caneleiras e das tornozeleiras. Os colegas passaram a dizer que eu parecia um Robocop... Virei motivo de chacota. Jogar futebol, enfim, tornou-se um martírio.
Mas a coisa não pararia aí. Teimoso e com o condicionamento físico cada vez pior, fui aos poucos lesionando o joelho direito. Foram duas quedas apoiadas apenas na perna direita que acabaram provocando uma lesão grave. Some então uma joelheira à faixa de proteção abdominal, às tornezeleiras e às caneleiras. Mas nem toda a proteção do mundo seria suficiente pra evitar uma forte torsão no joelho enquanto eu jogava em uma quadra de grama sintética. O pé ficou preso, o joelho seguiu em frente. A proteção no joelho de nada adiantou. Tempos depois eu descobriria que eu já estava com o joelho seriamente lesionado. Isso foi em 2011. Procurei um médico; ele disse que o ligamento cruzado anterior havia se rompido. Quis fazer uma cirurgia; eu me recusei.
De lá pra cá ensaiei várias vezes um retorno aos campos. Quadras e campos de grama sintética estavam definitivamente descartados. Entrei na musculação; nenhuma melhora. Fiz uma cirurgia espiritual; fiquei bom e voltei aos campos. Lesionei novamente o joelho no primeiro dia... Fiz então uma segunda cirurgia espiritual, agora não apenas nos joelhos, mas também na coluna e no calcanhar, que também começava a doer. As dor nos joelhos e na coluna desapareceram do dia-a-dia, mas eu sempre sentia medo de voltar. Eu até corria razoavelmente bem pra um homem de 38 anos que não vive de esporte, mas as dores que eu sentia após os jogos me deixavam desanimado. Era visivelmente falta de condicionamento físico. Agora com dois filhos isso não era a minha maior prioridade e nem poderia ser. E convenhamos: não era fácil entrar em campo para ver jovens na faixa dos 20 anos passando por mim como se fossem aviões e eu sem conseguir pará-los... 
Há um mês matriculei-me em uma academia. Passei a correr três vezes por semana na esteira e a fazer exercícios para fortalecimento das pernas. Hoje decidi então voltar aos campos. Consegui correr bastante e fui útil ao meu time. Dei um chute bem forte para o gol e não senti nem medo nem dor. Consegui voltar em velocidade para marcar – não foi necessariamente para desarmar, mas lembrou-me os bons tempos de adolescência, quando eu era um defensor rápido e difícil de ser batido. Não fiz nenhum gol; aliás, meu time levou vários. Mas consegui participar do jogo, fazer algumas tabelas e dar alguns lançamentos. É difícil descrever quão deliciosa é a sensação de ter realmente jogado futebol novamente. Estou com dores nas pernas, mas nada que flerte com alguma lesão. Muito pelo contrário: nunca me senti tão vivo e jovem nos últimos seis anos como me sinto agora.

A pergunta que você deve estar se fazendo: por que estou escrevendo sobre isso? Simples: eu quero que o Miguel vá comigo ao campo, para ver o quanto o pai dele gosta de futebol. Gostaria muito que ele também gostasse e que, quem sabe algum dia, a gente jogasse no mesmo time em uma dessas partidas. Impossível? O que eu vivi hoje me diz que não...

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