sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Lembranças da minha professora de Matemática

       Ela tinha uma cabeça à frente de seu tempo. Já no colégio tentava preparar-nos para os vestibulares e para a vida. Sua voz firme sempre nos fazia achar que estava brava conosco. Talvez por isso fosse a professora mais “temida” da escola Manoel Gouveia de Lima. Quando ia à lousa, a Matemática deixava de ser um monte de números e sinais sem sentido para tornar-se a coisa mais lógica e encantadora do mundo. Quando em 1990 ela escolheu-me para ser orador da turma da 8ª série, ten...do seus dois filhos e dois sobrinhos na mesma turma que eu, eu fiquei inconformado. Por que eu? Eu ficava sentado na última carteira e, apesar das boas notas, era o aluno mais tímido da turma! Mas ela não aceitou o meu “não”. Lembro perfeitamente de suas palavras de incentivo para convencer-me: “Se vira, será você e ponto final”. Na formatura, após o meu discurso (que, para minha surpresa, deixou todos emocionados), seus olhos rasos em lágrimas expuseram a ternura da mãe que havia por trás da “temida” professora, que sempre quis e exigiu o nosso melhor. “Fiz bem em escolher você, eu sabia que você ia dar conta!”, disse-me ela após um abraço apertado. Dona Ana Maria Perez, por inúmeras vezes tive o prazer de encontra-la e de agradecê-la pessoalmente por tudo o que a senhora fez por mim, assim como muitos outros devem ter feito, mas há algo que eu talvez ainda não devo ter dito: ter tido a senhora como professora de Matemática e a dona Maria Auxiliadora Corradini como professora de Língua Portuguesa da 5ª à 8ª série foram os maiores privilégios de toda a minha vida escolar. Se eu a conheço bem, ao ler isso a senhora vai dizer “Eu fiz o meu papel de professora. Fiz a minha obrigação”. Ainda assim, acho que a senhora fez muito mais que isso. Muito obrigado por ter sido a melhor professora de Matemática que eu tive! Que Deus abençoe a senhora e toda a sua família!
 

sábado, 2 de janeiro de 2016

Afaste o remorso!


         Meu pai sempre diz que um homem não é nada, pois não sabe de onde veio e não sabe pra onde vai. Mas não é só o começo e o fim das poucas décadas que aqui passamos que são enigmas. Qual a razão de estarmos aqui? Por que o término dessa existência é breve para alguns e repleto de sofrimento para outros?
Há muito tempo eu não parava para reflexões desta natureza. Embora na maioria das vezes não levem a lugar algum, quando não trazem apenas tristeza, esses momentos são importantes para mim. Às vezes as lembranças de entes queridos, avós, tios-avós, tios e amigos que partiram são indispensáveis para que se dê o devido valor àqueles que ainda estão conosco. As lembranças e as recordações, doces ou ruins, que teremos deles no futuro são construídas agora. Por isso, devemos aproveitar os momentos com as pessoas queridas ao máximo. Em tempos de relacionamentos virtuais, dos viciantes e alienantes whatsapp, facebook e twitter, é preciso abandonar o celular para dar um abraço ou dispensar seu tempo para estar ao lado das pessoas que você ama.
A vida, infelizmente para alguns e felizmente para outros, é muito curta. Não há tempo para raiva, ressentimentos, inveja ou vingança. Somente o perdão, a caridade, a tolerância e o amor devem predominar. Caso contrário, não haverá lembranças para guardar quando essas pessoas partirem. Só restarão o arrependimento e o remorso...

 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Retrospectiva 2015


         2015 foi um ano muito difícil e talvez por isso tenha passado voando. Apesar de a situação da economia brasileira ter se agravado durante o ano que ontem terminou e o dólar, no derradeiro dia, estava cotado a quase R$4,00, muitos acontecimentos de 2015 ficarão marcados. Foi, por exemplo, o ano em que quase perdi meu pai. Em virtude de problemas no coração, meu herói passou três dias na UTI; depois, teve que ser transferido para o Hospital do Coração de Franca e submeter-se a uma cirurgia para a implantação de um marca-passo. Meu sogro também passou-nos um susto com uma radiografia, na qual foi diagnosticada uma mancha enorme em seu pulmão. Graças a Deus não era nada grave.
Em 2015 organizamos outro encontro da nossa turma de atiradores do TG 02-065. Foi o churrasco de 20 anos da nossa turma. Desta vez coube a mim e ao Cecílio a organização do churrasco. Embora nem todos os colegas estivessem presentes, surgiu em nossas conversas que todos estavam vivos, com saúde e seguiram um bom caminho. Eis que, alguns meses depois, tivemos a notícia do falecimento do atirador Pontes em virtude de um infarto fulminante. Notícia trágica, já que sua esposa estava grávida e seu filho veio ao mundo três dias após o seu falecimento...


Este foi o ano em que Miguel adaptou-se à escola e aos colegas. Alice começou a frequentar a creche. As diferenças entre as personalidades dos dois tornaram-se visíveis. Alice é linda e muito divertida, uma verdadeira bonequinha, porém têm o gênio muito forte. Miguel é mais calmo e doce. Ambos são carinhosos. Passamos o réveillon na casa dos meus pais. Miguel ficou na calçada admirando os fogos. Quando voltamos para casa ele não conseguia dormir, indo fazê-lo apenas depois de traduzir o momento no desenho a seguir.


Em dezembro fizemos uma viagem maravilhosa a Campos de Jordão. Foi a melhor viagem que já fizemos em família! A cidade, como de costume nesta época do ano, estava linda. Foi uma ótima oportunidade para descansar e curtir a família. Além disso, todos nós nos divertimos bastante!


No trabalho eu talvez tenha vivenciado as situações que todos sempre disseram que eu viveria. Teve de tudo: pessoas que se aproximaram para ganhar minha confiança e usá-la contra mim; pessoas que antes eram extremamente queridas e, sem razão aparente, tornaram-se desafetos. Foi também neste ano que tive minha primeira decepção com alguns alunos da USP. Apesar de ter saído fortalecido dessas situações, todas deixaram-me desmotivado a atualizar este blog. Percebi que, infelizmente, não posso mais usar este espaço para desabafo. Agora vejo que deveria ter escrito, mas não publicado... Eis aqui uma das metas para 2016! Em meio a tanta turbulência, consegui o contato de um professor canadense e acertamos um estágio em seu laboratório. Deverei fazê-lo muito em breve e, assim, realizarei um sonho bastante antigo.
As pessoas estão acostumadas a estabelecer metas na passagem de um ano para o outro. Embora muitos passem o ano correndo atrás delas, a maioria acaba perdendo o foco e desistindo de alcança-las. Dentre os muitos fatores que as levam a fazer isso estão os fatos inusitados, que por sua natureza nunca são levados em conta quando as metas são estabelecidas. Neste ano eu não perderei o foco. Algo me diz que será um dos melhores de minha vida! Feliz 2016 a todos!