domingo, 24 de julho de 2016

Uma lição de etiqueta

    Neste sábado fomos a uma loja de diversidades aqui no centro da cidade para comprar algumas coisas para nossa casa. Enquanto Débora olhava os produtos eu observava Miguel e Alice brincando entre as prateleiras, ora de esconde-esconde, ora de pega-pega. Minha função como pai era não deixar que fizessem bagunça, quebrassem mercadorias ou fizessem coisa pior.
De repente, notei que Miguel estava com algumas etiquetas em branco na mão, daquelas usadas para colocar preço nas mercadorias.
- Filho, onde você achou essas etiquetas?
- Papai, aquela moça estava passando e deixou cair, aí eu peguei...
- Mas ela viu as etiquetas caindo?
- Não...
- Então você precisa devolver as etiquetas para a moça. São delas, não são suas.
- Não, papai... Ela deu as etiquetas pra mim... – disse ele, caindo em contradição.
- Então vamos lá perguntar pra ela se ela te deu mesmo as etiquetas – respondi, já sabendo que ele estava mentindo.
- Não, papai... espera... Ela não me deu a etiqueta, não... Desculpa... Eu fiz coisa errada...
Ele percebeu que tinha feito algo errado, que sua pequena “inverdade” tinha sido descoberta e já temia as consequências. Fomos então até a funcionária, que felizmente havia sido minha aluna durante o ensino médio.
- Devolve pra ela, filho...
Ele estende a mão e entrega as etiquetas. Ela agradece, sem entender nada. Miguel vira as costas, abraça minhas pernas e começa a chorar.
- Mas, papai, eu queria aquelas etiquetas...
- Ora, por que você não pede as etiquetas pra moça?
- Posso ficar com essas etiquetas, por favor?
A moça sorri e consente, recebendo em troca um “muito obrigado”, acompanhado de um abraço e um beijo. Depois olha pra mim, sem entender nada. Explico, então, a longa história. “Está certo, professor. O senhor fez bem”.
Miguel saiu feliz com as etiquetas, que agora eram realmente dele. Eram pequenas e de pouco valor, mas serviram para mostrar a ele que agir honestamente não tem preço e não depende de alguém estar olhando ou não. Se algum dia acontecer com uma nota de R$100,00, uma carteira cheia de dinheiro ou algo mais valioso, eu espero que ele se lembre do que o pai e a mãe dele gostariam que ele fizesse.